Maestros da terra e Bandas Filarmnicas Concelhias juntos no Grande Concerto de Pscoa

Quarta, 17 de Abril, 2019

De batuta na mão, Afonso Alves, Martinho Rodrigues e Nelson Aguiar vão liderar um Ensemble das Bandas Filarmónicas Concelhias constituídos por músicos da Banda Bingre Canelense, da Banda Club Pardilhoense e da Banda Visconde de Salreu no Grande Concerto de Páscoa “Almeh Luz”. E vão ainda acompanhar as aclamadas cantoras líricas Carla Maffioletti, uma das sopranos de André Rieu, e Jutta Maria Böhnert, que já atuou nas principais salas europeias e teatros de ópera. 

Um trabalho de equipa de enorme responsabilidade

A opinião entre os maestros é unânime. Acompanhar o duo de voz e violão, que nasceu, em 2018, resultado do desejo das cantoras transportarem e adaptarem para o violão clássico e vozes as mais belas melodias, será uma “responsabilidade acrescida”.

As bandas filarmónicas são pilares da cultura musical portuguesa e em Estarreja assumem-se como a base para a formação musical dos nossos muitos jovens músicos, de onde têm resultado grandes talentos. Para Afonso Alves, este envolvimento com os músicos das diferentes bandas “é sempre interessante e benéfico para o relacionamento artístico e social das instituições.” Na sua opinião, para os elementos das bandas é mais “uma oportunidade para partilharem a Música, trabalharem com maestros diferentes num contexto de ensaio e concerto, reverem amigos e trocarem impressões”.

Martinho Rodrigues salienta que estas sinergias revelam “uma nova forma de estar, de agir e de pensar, em tudo o que diz respeito à cultura do concelho”.  Salienta que com a aposta e a preocupação do município em unir as associações “todos saíram a ganhar e tem dado bons resultados.”

Estes que possuem a arte de liderar com gestos coincidem em mais um ponto: é aliciante trabalhar com “ensembles de diferentes formações e objetivos”, “há uma enorme vontade nesta colaboração”, e este trabalho em conjunto “funciona muito bem”.

O que esperar do Grande Concerto de Páscoa

Nelson Aguiar garante que “o empenho e a dedicação dos maestros, dos músicos e das solistas proporcionará ao público uma excelente noite musical que ficará marcada na memória de todos”.

“Um grande espetáculo, diferente, com grandes árias de ópera interpretadas por duas grandes vozes. Poder ouvir interpretações destas duas divas em Estarreja? Talvez seja algo que não acontecerá num futuro próximo”, diz o Diretor Artístico da Banda Club Pardilhoense, Martinho Rodrigues.

Afonso Alves não tem dúvidas que este “encontro improvável destas duas vozes com as sonoridades de um ensemble de instrumentos de sopros é algo que merece ser descoberto, visto, ouvido e finalmente interiorizado”. Neste concerto único no país, o também Diretor Artístico do Orfeão da Banda Visconde de Salreu ressalta que o público terá a oportunidade de “experimentar as sensações produzidas pela simbiose de vozes magníficas com o colorido timbrico e único dos instrumentos de sopro”.

Das principais salas europeias e teatros de ópera para o palco do CTE

O duo de voz e violão Almeh Luz surgiu do desejo das aclamadas cantoras líricas Carla Maffioletti e Jutta Maria Böhnert de transportar de uma maneira mais intimista e sensível as mais belas melodias e adaptá-las para o violão clássico e vozes femininas.

Carla Maffioletti e Jutta Maria Böhnert contam que “num mundo tão barulhento e hermético, poucos são os momentos onde nos permitimos a calma das sensações artísticas mais ternas e delicadas, e é exatamente isto que nos propomos fazer”.

Uma das principais solistas do violinista holandês André Rieu, Carla Maffioletti levanta a ponta do véu. “ Na primeira parte do espetáculo, vamos cantar várias músicas brasileiras e espanholas, já na segunda, teremos a participação especial do ensemble das Bandas Filarmónicas e vamos cantar árias de óperas, duetos e melodias muito especiais”.

Não será seguramente um exagero dizer que será um Grande Concerto de Páscoa.

 

Notas biográficas:

Carla Maffioletti é a renomada soprano Brasileira,  há vinte anos radicada na Europa. Ganhou fama mundial como uma das principais solistas do violinista holandês André Rieu. Realizou digressões pelo mundo inteiro onde bateu recordes e esgotou de concertos. Com o maestro Rieu gravou mais de 20 DVDs e CDs que são frequentemente apresentados na rádio, televisão e no cinema, em vários idiomas. Frequentemente apresenta-se no Brasil em importantes projetos artísticos, como em 2018 a incontornável estreia mundial da ópera “O Quatrilho de Vagner Cunha” e as digressões nacionais da Canerata Ontoarte, sempre com teatros lotados.

Jutta Maria Böhnert possui uma carreira brilhante nos mais conhecidos teatros de Ópera e principais salas de Concerto Europeias. A soprano alemã elogiada por ter uma voz terna e doce, cantou sob a regência de Pierre Boulez, Danielle Gatti, Christian Thielemann e dividiu o palco com grandes nomes da música lírica como Dame Kiri te Kanawa. Em Espanha, Jutta Maria Böhnert apresentou-se diversas vezes como solista da digressão de concertos dedicados a J.S. Bach com o “Coral de Meninos Windsbacher Knabenchor”.

 

AS BANDAS

 

BANDA BINGRE CANELENSE

Foi fundada em 26 de março de 1865, com o nome de Sociedade Musical União Canelense, que manteve até 1932, passando depois a denominar-se Banda Bingre Canelense, e assim homenageando o poeta Francisco Joaquim Bingre, conhecido por " O Cisne do Vouga", nascido em Canelas. A 6 de outubro de 1967, com a aprovação dos seus estatutos, adotou a denominação "Sociedade Recreativa e Musical Bingre Canelense".Reconhecida como Instituição de Utilidade Pública, vem proporcionando à comunidade de Canelas e do concelho de Estarreja, o ensino da música a todos aqueles que a desejem aprender. Desta forma mantém em funcionamento regular, e há mais de 30 anos, a sua escola de música, frequentada por alunos nos vários níveis. A Escola de Música Francisco Bingre prepara e forma novos músicos para a Banda. Das fileiras da Banda de Música saíram elementos que se inseriram em Bandas Militares das Forças Armadas, em Orquestras e outras formações musicais de grande relevo no contexto nacional. Outros músicos da Banda Bingre Canelense tornaram-se professores de música em Conservatórios, Universidades ou Maestros. Alguns continuam dedicadamente integrados na "sua" Banda. Este "vírus musical", que passa de geração em geração, permite que de uma forma global todas as famílias canelenses estejam ligadas à música, garantindo assim a continuidade da Banda Bingre Canelense. Detentora de um passado musical invejável, aos 152 anos de existência, goza do estatuto da mais antiga coletividade do Concelho de Estarreja, sendo uma das mais antigas do Distrito de Aveiro. Tem participado em diversos Festivais de Bandas, sendo de destacar a sua participação em 2003, no XXI Festival de Bandas da Ilha da Madeira, realizado na Ribeira Brava, sendo a única Banda convidada do Continente, assim como a atuação da sua Orquestra Juvenil, em setembro de 2004, em La Riche, França. Organizou pela primeira vez, no ano de 2017, o Festival Internacional de Música Filarmónica Francisco Bingre, certame que conta com um estágio dirigido a jovens músicos e diversos concertos realizados por diversas bandas participantes. O sucesso da 1ª edição do FIMFAB levou a que o projeto tivesse continuidade e se viesse a realizar o FIMFAB 2018, em abril. Conta com 62 músicos no seu quadro permanente.

DIREÇÃO MAESTRO NELSON MANUEL CRUZ DE AGUIAR

Nelson Aguiar nasceu a 2 de outubro de 1966 em Caracas, Venezuela. Iniciou os estudos musicais na Escola de Música da Banda Bingre Canelense. Aos 13 anos ingressou no Conservatório de Música de Aveiro, onde passou a frequentar o curso de clarinete na classe do Prof. Fernando Artur Raínho Valente. Professor do quadro do referido Conservatório desde 1989, ali continua a exercer docência musical na classe de clarinete, tendo sido Maestro da sua Banda Sinfónica desde a fundação e até 2014.Foi diretor Pedagógico da Academia de Música de Vale de Cambra onde é docente na classe de clarinete. Tem orientado várias “masterclasses” em clarinete e integrado vários júris escolares, regionais e nacionais, em concursos para jovens instrumentistas. Vem frequentando sucessivos cursos de direção para Bandas. Foi fundador e responsável artístico da Orquestra Ligeira do Grupo Desportivo e Cultural de Ribeira de Fráguas, Albergaria-a-Velha. Desde 2000 é o Maestro da Banda Bingre Canelense, com a qual gravou os CD’S “Sons Reais” e “Alma de Maestro”. É também o Coordenador Pedagógico da sua Escola de Música onde formou o “Grupo Jovem” com o qual promoveu o Festival Jovem de Música Filarmónica Francisco Bingre. Foi Diretor Artístico das duas edições (2017 e 2018) do FIMFAB – Festival Internacional de Música Filarmónica Francisco Bingre.

BANDA VISCONDE DE SALREU

Foi fundada a 1 de outubro de 1925. Mas o “sonho” de constituir uma Banda Filarmónica começa em finais do Séc. XIX. Anos mais tarde o sonho tornar-se-ia realidade. A importância e o respeito que o maior benemérito que o concelho de Estarreja conheceu e que a freguesia de Salreu viu nascer, foram fundamentais para a escolha do nome. Em maio de 1927, a Banda apresenta-se em público pela primeira vez. Foi seu primeiro Regente Pedro Calado. Obteve em 1939 e 1958, primeiros prémios em concursos de Bandas no Distrito de Aveiro e no Município da Maia, respetivamente. Além das festas religiosas, participa em Encontros de Bandas de Norte a Sul do país, assim como em Espanha. Fora do contexto filarmónico, têm no seu curriculum, a apresentação de concertos barrocos (integrando a dança e a poesia), um dos quais apresentado na Quinta do Visconde de Salreu, concertos românticos, festivais da canção, tributos ao fado, concertos de variedades, concertos corais, espetáculos com o tenor Carlos Guilherme e musicais, destacando-se a comédia musical “A Padeira de Aljubarrota” estreada no Cine-Teatro de Estarreja e representada no Porto. No curriculum detém ainda um Concerto Coral Sinfónico apresentado no Parque Municipal do Antuã com 8 Corais e com a presença do Grupo de Motards os Samaritanos, envolvendo cerca de 400 pessoas num espetáculo único. Todos os arranjos e originais foram compostos pelo Maestro Afonso Alves. Em 2015, e a convite da Ordem Soberana e Militar de Malta, executaram-se os hinos propostos para receber, no Mosteiro de Leça do Balio, o Príncipe e Grão-Mestre da Ordem Matthew Fating e a maior parte da realeza europeia. Possui uma Escola de Música com 61 alunos e que ainda não integram a Banda, superiormente organizada com 11 monitores. É justamente considerada a Escola de Música “fonte de vida” e garante de continuidade da Banda. O ensino é gratuito. Tem a Banda sede própria, fruto da generosidade de muitos emigrantes, mas a um estará eternamente grata: ao grande mentor e concretizador da obra: António Zagala! Detém desde 1985 o Estatuto de Utilidade Pública. Em 2008 obteve o Estatuto de Benefícios Fiscais, vulgo Mecenato. Recebeu a Medalha de Mérito Municipal de Estarreja em 2005. Com uma atividade e projetos culturais inovadores, é seu objetivo atingir patamares de qualidade cada vez mais elevados. E uma larga fatia desse mérito se deve ao compositor e Maestro Afonso Alves, diretor artístico da BVS e do Orfeão por si fundado em 2011, que conta com 32 coralistas.

DIREÇÃO MAESTRO AFONSO MANUEL MOREIRA PEREIRA ALVES

Afonso Alves presentemente é diretor pedagógico na Academia de Música do Orfeão da Foz do Douro, e orientador da Classe de Formação Musical e Coral na Universidade Sénior da Foz do Douro e do Curso de Direção Musical Para Banda Orquestra e Coro certificado pela Associated Board of the Royal Schools of Music. Tem vindo a realizar estágios técnico-artísticos a convite de inúmeras instituições do continente e ilhas, tendo-se deslocado como maestro convidado a Espanha (Zamora Vigo e Valência), Holanda (Amesterdão e Roterdão) e Noruega (Arendal). É consultor/formador para o Projeto de Capacitação dos Agentes Culturais e Filarmónicos do Alto Minho e Jovens Maestros. Compõe para a firma "Cardoso & Conceição" - Portugal, Molenaar Editions BV - Holanda, Johann Kliment Musikverlag - Viena de Áustria e HEBU Musikverlag GMBH - Alemanha.  É diretor artístico do Orfeão da Banda Visconde de Salreu, Orfeão da Foz do Douro, Orfeão do Porto, Grupo Coral da Universidade Sénior Porto, Grupo Coral dos Serv. Soc. da Caixa Geral de Depósitos do Porto, Banda Fórum - Filarmónica Portuguesa e Banda Visconde de Salreu onde desenvolve intenso trabalho.

BANDA CLUB PARDILHOENSE

Foi constituída a 4 de novembro de 1874, com o nome de “Filarmónica União Pardilhoense”. Foi o seu principal fundador e grande protetor o Padre António Joaquim Silva Vigário e Matos, conhecido por Padre Cura, auxiliado pelo Mestre Régio Padre José Lopes Ramos e por António Joaquim da Silva Vigário, seu principal instrutor, entre outros. Manuel Almeida, um dos fundadores, foi quem assumiu a regência da banda, mas pouco tempo depois passou o testemunho a Rodrigo António Fidalgo, ficando como contramestre e regente da orquestra. O primeiro local de ensaio foi a residência do Padre Vigário e Matos. Quando, em 1926, a Filarmónica União se integrou no Club Pardilhoense passou a designar-se por “Banda Club Pardilhoense”, sendo mais conhecida por Banda Velha de Pardilhó, uma vez que, entretanto, tinha sido constituída uma outra Banda na freguesia, conhecida por Banda Nova, que já não existe. Foi José Lopes, falecido em 2003, quem procedeu a uma grande renovação e valorização da banda, tendo para tal criado uma Escola de Música, onde são ministradas aulas gratuitas a crianças e jovens que pretendam integrar a Banda Club Pardilhoense. Desde 2009, a Direção Artística da Banda ficou a cargo do Maestro Martinho Rodrigues, natural de Pardilhó, que iniciou a sua formação musical na Banda Club Pardilhoense. A Escola de Música conta atualmente com cerca de 50 alunos, sendo a sua formação assegurada por elementos da Banda e por professores credenciados. A Escola funciona neste momento em dois módulos, “Iniciação” e “Avançado”, permitindo assim que a partir dos 5 anos de idade os alunos possam já ter contacto com a música. A Banda Club Pardilhoense vive o seu mais elevado nível artístico e por tal motivo tem sido convidada a participar em algumas das mais reputadas romarias do país. A gravação do primeiro CD da história da Banda aconteceu em 2014. A Banda Club Pardilhoense executa os mais diversos números musicais, desde a música clássica, passando pela religiosa e popular, com um vasto reportório. Constituída por 65 elementos, realizam entre 30 a 40 atuações durante o ano. Saíram da Banda Club Pardilhoense grandes músicos, destacando-se o Major Aurélio da Silva e Pinho, antigo Maestro da Banda da Força Aérea.  

DIREÇÃO MAESTRO MARTINHO MIGUEL MATOS RODRIGUES

Martinho Rodrigues nasceu em Pardilhó, a 27 de Julho de 1979 onde iniciou, em 1989, os estudos musicais na Banda Club Pardilhoense sendo aluno do Maestro José Lopes. Depois de ter completado o solfejo, em 1991 começou por aprender clarinete tendo sempre o referido maestro como professor. Em 1996, é admitido na classe de Fagote do Prof. Fernando Ribeiro Lopes no Conservatório de Música de Aveiro. Durante o Curso Básico Supletivo frequenta um Seminário de Improvisação sob a orientação da Mestre Helena Caspurro e participa na orquestra de Câmara do Conservatório sob a regência do Professor Duarte Neves. Em 2000/2001 termina o Curso Básico Supletivo com 17 valores. Frequenta duas Masterclass de Fagote: com Pascal Gallois, do Ensemble InterContemporain, que leciona fagote alemão no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris; e com o fagotista húngaro Giorgios Lakatos. Fez parte do Octeto de Sopros do Conservatório de Música de Aveiro. Durante o seu percurso no Conservatório de Música de Aveiro participa em variadas audições e projetos musicais. Em 2004/2005 frequenta o 3º Ano do Curso Complementar Supletivo variante de Fagote, tendo alcançado 18 valores no Exame Final de 8º Grau de Instrumento. Assume em 2002 a Direção Artística da Orquestra Ligeira Pardilhó Jazz e torna-se Maestro Adjunto da Banda Club Pardilhoense, assumindo em 2009 a sua Direção Artística e a Direção Pedagógica da Escola de Música. Detém inúmeras obras compostas e registadas na Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2006, frequenta um curso de Direção de Bandas Filarmónicas com o Maestro Tenente-Coronel Jacinto Montezo. Em 2012, frequenta novo curso de Direção com o Maestro João Paulo Fernandes, no âmbito da iniciativa BRASSFEST. Tem trabalhado com os Maestros Carlos Marques, José Pedro Figueiredo, Vasco Flamino, Luís Cardoso, Duarte Neves, Jacinto Montezo, Valdemar Sequeira, João Paulo Fernandes, José Ribeiro, Francisco Pinto, entre outros. Em 2014 inicia a Licenciatura em Fagote com o Prof. Luís Correia na Escola Superior de Música de Lisboa. É elemento da Banda de Música da Guarda Nacional Republicana tendo ingressado nesta força de segurança em 2006 mediante concurso público.