O Baile ps toda a gente a danar

No passado sábado, 31 de maio, o Cine-Teatro de Estarreja abriu as portas para “O Baile”, da coreógrafa Aldara Bizarro. Uma festa onde todos participaram: 188 espetadores deixaram-se contagiar pelo ritmo e alegria do espetáculo, que cruzou em palco profissionais, comunidade e o próprio público.

Homens com homens, mulheres com mulheres, tudo a que um baile tem direito. Aldara Bizarro desafiou a comunidade estarrejense a participar na recriação de um baile tradicional, através de uma perspetiva atual. Em cena assiste-se aos últimos preparativos do salão, para receber os convidados dançantes; escolhem-se as melhores vestes para a festa: os homens com o seu melhor fato, as mulheres com o vestido mais colorido. Antes do bailarico começar, ensinam-se alguns passos de dança. “Passo, passo, frente; passo, passo, trás” marca o ritmo e coloca os que chegam em sintonia. “O Baile” não deixou escapar as histórias de vida, um bom fado e também o enamoramento entre rapazes e raparigas.

Mas as 32 pessoas em palco não foram suficientes. Ia “O Baile” a meio quando o público foi chamado a participar. No total, mais de 50 pessoas subiram ao palco do Cine-Teatro de Estarreja, na noite de sábado, para dançar ao sabor das tradições populares e ao ritmo da música de Artur Fernandes. Temas como “Cana Verde desVirada”, “Malhão Rusgado” e “Valsa Mazurcada”, criados propositadamente para este projeto de Aldara Bizarro, foram tocados ao vivo pelo próprio concertinista e por músicos da comunidade.

No final do espetáculo, houve espaço para uma conversa entre o público, coreógrafa e participantes no sentido de se perceberem os conceitos e origem deste baile.

Perpetuar a identidade de Estarreja

“O Baile” é um espetáculo multidisciplinar, inspirado no filme homónimo de Ettore Scola (1983) e na memória dos bailes de bairro e vilas de Portugal. Neste projeto, e no seguimento do seu trabalho como coreógrafa, Aldara Bizarro propôs-se a trabalhar com a comunidade local na criação de um baile contemporâneo, pertinente e atual. O resultado é um registo importante na conservação do património cultural quer ao nível nacional como ao nível local, já que “existem determinadas partes que partem mesmo das pessoas que participam”, explica Aldara Bizarro, “uma forma do grupo se exprimir que tenha a ver com a sua cidade e com esta situação específica”. A coreógrafa compôs um trabalho com “três níveis de participação, três níveis de interiorização e de fruição do próprio espetáculo”, ou seja, profissionais, comunidade e público que também se deixa envolver na festa.

Quatro dias de trabalho intensivo que reúnem uma equipa de músicos e bailarinos profissionais aos participantes da comunidade, inscritos no núcleo de dança ou no núcleo de música do espetáculo. O resultado é um espetáculo com “vida própria”, salienta Aldara Bizarro, que permite a toda a equipa “conhecer realidades muito diferentes”.

Comunidade ativa e participativa

A vontade de participar e conviver são as principais motivações dos participantes no espetáculo “O Baile”. Com uma média de idades a rondar os 49 anos, os 16 inscritos no núcleo de dança juntaram-se a 8 músicos e instrumentistas da comunidade e brilharam ao lado da equipa de profissionais responsável pelo projeto. Evelina Coutinho, de 50 anos, residente em Ílhavo, inscreveu-se pelo gosto que tem desde nova pela dança e pelo teatro. Não tinha qualquer expetativa, mas agarrou-se ao projeto desde início: “logo no primeiro ensaio fiquei com a ideia de que iria ser uma experiência sensacional”.

No grupo de participantes da comunidade, contam-se muitas caras que participam com frequência nos projetos semelhantes que o Município de Estarreja tem promovido. Não é o caso de Dulce Ferreira, no entanto, a professora de 50 anos, residente em Aveiro, já tinha participado no espetáculo “O Baile” noutra localidade. “A oportunidade de participar e de conviver com outras pessoas” levou Dulce Ferreira a fazer, mais uma vez, parte do projeto. Para a aveirense, “adquire-se uma partilha muito interessante, porque há um objetivo comum”, garantindo que o espetáculo foi “muito distinto” do outro que experienciou. António Oliveira, da freguesia de Canelas, é um dos que já conhece bem os cantos à casa. Em março participou no espetáculo Tempo do Corpo, também no Cine-Teatro de Estarreja, e, apesar de dizer que não sabe dançar, não quis deixar passar a oportunidade de participar em mais um projeto. “Aprende-se sempre alguma coisa”, afirma o reformado de 69 anos, garantindo que a experiência foi “ótima” e todos foram “muito acessíveis”.

Do lado dos músicos, Daniel de Sousa, de Estarreja, explica que se sentiu atraído pelo título do projeto e pela “ideia de se criar um baile em palco”, mas a música de Artur Fernandes foi o principal motivo que o fez submeter a inscrição. O maestro do Coral e Tuna da Associação Cultural de Salreu deu o seu contributo no espetáculo “O Baile”, tocando flauta transversal.

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