Pretende-se com esta obra, fazer uma construo nacional e regionalista

O Cine-Teatro de Estarreja faz 65 anos

Em Estarreja, não há quem fique indiferente aos 65 anos do Cine-Teatro de Estarreja ou do “Cinema” como a maioria lhe chama. A construção deste emblemático edifício, inaugurado a 12 de março de 1950, impulsionou o desenvolvimento local. Com um programa dedicado à sétima arte, alargado ainda a produções de teatro e Revista, o Cine-Teatro de Estarreja atraía públicos de todo o distrito de Aveiro. Quem o diz é José Sá, projecionista (e não só) no Cine-Teatro de Estarreja durante 42 anos. Segundo o estarrejense de 72 anos, “na altura levava cerca de 900 pessoas e ainda se punham cadeiras normais pelos corredores fora”, recordando que “vinha pessoal de Ovar ver cinema aqui, de Oliveira de Azeméis e até de Aveiro, que já tinha dois cinemas. Havia uma camioneta que trazia também pessoas de Pardilhó e da Murtosa de propósito para virem ao cinema. A qualidade de imagem atraia pessoas de todo o lado.

Projeto do arquiteto Raul Rodrigues Lima (1909-1979), encomendado pela Empresa Cinematográfica Aveirense Lda., também proprietária do Cine-Teatro Avenida, em Aveiro, o edifício mantém atualmente as linhas mestras e memórias. José Sá lembra-se bem das bobines de 1 hora que chegavam ao Cine-Teatro de Estarreja, que mais não eram do que bocados de filme cortados pela censura, colados uns aos outros. “Não tinha interesse, não tinha sequência nenhuma, mas a malta gostava, batia palmas. Era uma autêntica romaria”, reviveu José Sá, sentado no recém-inaugurado Café-Concerto, durante uma entrevista que assinala os 65 anos do edifício e que pode ser lida na íntegra aqui.

A construção do Cine-Teatro de Estarreja representava o progresso. O equipamento figurou como polo cosmopolita e palco da vida social da população. O próprio arquiteto escreveu na memória descritiva do projeto, em 1945: “pretende-se com esta obra, fazer uma construção nacional e regionalista” (citado na revista Terras de Antuã – Histórias e Memórias do Concelho de Estarreja, nº 5, 2011). A necessidade de obras de manutenção, bem como adequação do espaço às exigências dos novos públicos levou ao encerramento de portas em 1992, sendo posteriormente adquirido pela Câmara Municipal de Estarreja que mantém a sua gestão até hoje. Em 2001 arrancaram as obras de restauro e, em 2005 o espaço reabriu ao público com uma programação própria e regular nas diferentes áreas artísticas.

3000 eventos desde a reabertura


Festejos a triplicar. As 65 primaveras dão as mãos à chegada do evento número 3000. Contagem iniciada em 2005 e que entrega o troféu à exibição do filme “Que mal fiz eu a Deus?”, de Philippe de Chauveron, hoje, às 21h30. No ano em que também celebra o 10º aniversário da reabertura após a requalificação, o sexagenário Cine-Teatro de Estarreja posiciona-se no mapa cultural do país, ao lado de grandes salas de espetáculo. Mesmo numa cidade de média dimensão, os seus instrumentos ecoam nas mais distantes latitudes, fruto de um trabalho de reconhecido valor cultural e artístico, atento aos vários públicos, numa moldura capaz de se adaptar à sociedade contemporânea, cultivando atitudes críticas perante o mundo.